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Moema Jose de Carvalho Augusto
Assistente da Diretoria de Geociências do IBGE e da Secretaria Executiva da Comissão Nacional de Cartografia

1 – Quais as iniciativas do governo do Brasil em relação à produção, compartilhamento, disseminação e uso de IG (dados e informações geoespaciais) em instituições governamentais?
No Brasil os dados e informações geoespaciais tem marcos legais registrados desde a Constituição Federal, onde são estabelecidos os sistemas: cartográfico, geográfico, geológico, dentre outros. Além desses marcos legais, existem outras medidas relacionadas com a padronização de informações geoespaciais que são emanadas pelo governo eletrônico, principalmente com relação aos padrões de interoperabilidade do e-Gov, denominado e-PING. A arquitetura e-PING, define um conjunto mínimo de premissas, políticas e especificações técnicas que regulamentam a utilização da Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) no governo federal, tendo um subgrupo que atua no que se refere à informação geoespacial.
Em novembro de 2008, foi assinado pelo presidente do Brasil, o Decreto 6.666/2008, que cria a Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais – INDE. Avalia-se que a iniciativa da INDE incentivará a disponibilização e o uso de IG, com a definição de normas, padrões e especificações (nacionais e internacionais) propiciando o incremento das políticas de compartilhamento de dados e experiências. No processo de criação da INDE, foi desenvolvido um plano de ação, coordenado pela Comissão Nacional de Cartografia – CONCAR, com a participação de diversos atores federais e estaduais.
2 - Quais as orientações políticas, técnicas e econômicas dominantes nessas iniciativas?
O Decreto 6.666/2008, que mencionamos anteriormente, tem como objetivos principais:
• Promover o adequado ordenamento na geração, no armazenamento, no acesso, no compartilhamento, na disseminação e no uso dos dados geoespaciais de origem federal, estadual, distrital e municipal, em proveito do desenvolvimento do País;
• Promover a utilização, na produção dos dados geoespaciais pelos órgãos públicos das esferas federal, estadual, distrital e municipal, dos padrões e normas homologados pela Comissão Nacional de Cartografia - CONCAR; e
• Evitar a duplicidade de ações e o desperdício de recursos na obtenção de dados geoespaciais pelos órgãos da administração pública, por meio da divulgação dos metadados relativos a esses dados disponíveis nas entidades e nos órgãos públicos das esferas federal, estadual, distrital e municipal. Com relação às suas principais políticas destacam-se:
• Serão considerados dados geoespaciais oficiais aqueles homologados pelos órgãos competentes da administração pública federal.
• O compartilhamento e disseminação dos dados geoespaciais e seus metadados é obrigatório para todos os órgãos e entidades do Poder Executivo federal e voluntário para os órgãos e entidades dos Poderes Executivos estadual, distrital e municipal.
• Os dados geoespaciais disponibilizados no Diretório Brasileiro de Dados Geoespaciais – DBDG pelos órgãos e entidades federais, estaduais, distritais e municipais devem ser acessados, por meio do geoportal da INDE denominado SIG Brasil, de forma livre e sem ônus para o usuário devidamente identificado ( DBDG: sistema de servidores de dados, distribuídos na rede mundial de computadores, capaz de reunir eletronicamente produtores, gestores e usuários de dados geoespaciais, com vistas ao armazenamento, compartilhamento e acesso a dados e serviços relacionados).
3 - Quais são, a seu critério, os benefícios e os riscos na implantação e utilização de uma Infraestrutura de Dados Espaciais – IDE por parte dos governos (nacional, estaduais e locais) , no Brasil?
Durante o processo de construção do plano de ação da INDE foram levantados os potenciais benefícios e riscos da implantação dessa iniciativa, que deverá referenciar os sistemas de informações geoespaciais governamentais.
Benefícios:
• dar visibilidade aos dados geoespaciais produzidos pelo e para o governo; • construir habilidade e capacidade de acesso e uso de IG; • disponibilizar instrumentos e ferramentas para uso de IG no planejamento, na gestão e desenvolvimento das ações territoriais, ambientais, científicas, educacionais, sanitárias, etc., enfim disponibilizar IG para a sociedade brasileira
Como fatores de riscos foram elencados:
• restrições de acesso aos dados , barreiras ao compartilhameto e reuso de informações geoespaciais • falhas nos dados geoespaciais: inexistentes, desatualizados ou incompletos • falta de metadados • conjuntos de dados espaciais incompatíveis • incompatibilidade entre os sistemas que disponibilizam informações geoespaciais, serviços de busca, acesso e uso de informações e dados geoespaciais que funcionam de forma isolada • Insuficiente evidência dos benefícios a curto e médio prazo aos níveis decisórios • Interrupção do nível necessário de investimentos à infraestrutura de dados espaciais
4 - Quais são os tipos de aplicações e os âmbitos governamentais (nacional, estadual e local) que está se difundindo em maior medida no uso dos SIG no Brasil?
Diversas instâncias governamentais vem absorvendo geotecnologias para a aquisição, tratamento, gerenciamento e divulgação de dados e informações geoespaciais, de forma institucional e corporativa, segue abaixo um quadro indicando algumas aplicações de sistemas de informações geoespaciais.
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Exemplos de aplicação
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Descrição |
Áreas Envolvidas |
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Elaboração de planos de manejo de unidades de conservação
Elaboração de planos diretores municipais |
Delimitação de zoneamentos e estabelecimento de normas e diretrizes de uso |
Planejamento territorial para Prefeituras, Ministério do Meio Ambiente .... |
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Modelagem de processos hidrológicos |
Estudo de processos e comportamento |
Agencia Nacional de Águas, Ministério do Meio Ambiente, ... |
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Gerenciamento de serviços de utilidade pública
Gerenciamento costeiro |
Gestão de serviços e de recursos naturais |
Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Defesa, .... |
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Cadastro urbano e rural
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Armazenamento e recuperação de dados |
Estados e Prefeituras |
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Elaboração de mapas de risco
Elaboração de mapas de potencial
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Identificação de locais susceptíveis à ocorrência de um determinado evento ou fenômeno
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Ministério do Meio Ambiente, Ministério do Planejamento, Presidência da República, .... |
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Monitoramento da cobertura florestal Monitoramento da expansão urbana |
Acompanhamento da evolução dos fenômenos através da comparação de mapeamentos sucessivos no tempo |
Ministério do Meio Ambiente, Prefeituras, ... |
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Definição da melhor rota Identificação de locais para implantação de atividades econômicas |
Identificação de pontos e rotas |
Ministério do Meio Ambiente, Ministério do Planejamento, Presidência da República |
5 - Quais são as tendências dominantes para a em quanto à fórmulas de contratação para de o desenho, desenvolvimento, implantação e manutenção do SIG por parte do Governo do Brasil?
Os processos de contratação de serviços de maneira geral no Brasil possuem marcos legais associados, que disciplinam as formas de aquisição até a disseminação dos mesmos junto a sociedade. Os sistemas de informações geoespaciais seguem esses preceitos, adicionados às questões do e-Gov (Os Padrões Brasil e-Gov são recomendações de boas práticas com o objetivo de aprimorar a comunicação e o fornecimento de informações e serviços prestados por meios eletrônicos pelos órgãos do Governo Federal. )e das normas do Sistema Cartográfico Nacional que visam garantir os dados básicos que integram esses sistemas.
Com relação ao governo eletrônico, as políticas do e-PING relatadas abaixo, são tendências a serem consideradas em contratação desses sistemas.
Alinhamento com a INTERNET/ Adoção do XML como padrão primário de intercâmbio de dados para todos os sistemas do setor público/Adoção de navegadores (browsers) como principal meio de acesso/Adoção de metadados para os recursos de informação do governo/ Taxonomia de Navegação, desenvolvimento e manutenção da Lista de Assuntos do Governo: (LAG), que contemple, numa estrutura de diretório, os assuntos relacionados com a atuação de governo (http://www.eping.e.gov.br) / Suporte de mercado: todas as especificações contidas na e-PING contemplam soluções amplamente apoiadas pelo mercado/ Escalabilidade: as especificações selecionadas deverão ter a capacidade de atender alterações de demanda no sistema, tais como, mudanças em volumes de dados, quantidade de transações ou quantidade de usuários/ Transparência/ Adoção Preferencial de Padrões Abertos/ Garantia à privacidade de informação.
Moema Jose de Carvalho Augusto
Assistente da Diretoria de Geociências do IBGE e da Secretaria Executiva da Comissão Nacional de Cartografia. Graduada em Engenharia Cartográfica pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ (1981), Pós-graduação em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas – FGV (2001). Foi chefe da Coordenação da Cartografia do IBGE de 2003 a 2009, Coordena a Sub-Comissão de Dados Espaciais e é membro da Subcomissão de Planejamento e Acompanhamento, além de participar do Comitê da Infraestrutura de Dados Geoespaciais. Participa também do e-PING – Programa de Interoperabilidade do Governo Eletrônico, participando do sub-grupo que discute as questões de intercâmbio de informações geográficas. Membro do Grupo de Peritos das Nações Unidas em Nomes Geográficos.
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